Segurança no PC - Parte 1 - Se eu criasse um malware

 

Muitos anos atrás, quando a informática se restringia a alguns poucos cursos catedráticos em algumas universidades federais e a internet mal engatinhava na conexão discada, muitos indivíduos que depois passaram a se auto intitular de "hackers", perdiam horas e horas de sono nas madrugadas (internet barata só depois da meia noite e antes das seis da manhã) cavoucando bits e bytes de informações no submundo digital, hoje conhecido como deep web, de como melhor (ou pior) usar a rede. 
Confesso eu que, por algum tempo, participei desta rotina e vivi a experiência de conhecer os primeiros malwares (vírus) disseminados através de disquetes, via rede ou pela web mesmo, muitos deles, no início, até engraçados se comparados ao que se vê hoje, mas também, a motivação era muito diferente, lá naquele tempo, o ego de quem aprendia a duras penas a  programar para telas de texto puro era uma das maiores motivações, daí se via vírus como o CASCADE, que infectava o sistema e tinha e "devastador" efeito de fazer as letras caírem de sua posição na tela, como se pode ver aqui. 
De lá pra cá, muita coisa mudou, da motivação à tecnologia usada para implementar os mais diversos tipos de ameaças vistas hoje em dia. Atualmente, uma das principais motivações de quem desenvolve um malware, é financeira, SIM, financeira. Ao desenvolver um malware o indivíduo pensa em como pode lucrar com isso, sim, lucrar, pense só, se eu fosse desenvolver um malware para infectar o seu PC ou notebook, o que eu levaria em conta? 
1 - Quanto mais PCs eu infectar, maior será a chance de conseguir atingir um objetivo, logo, pensando em 1 bilhão de PCs/notebooks no mundo (Fonte: G1), e mais de 85% usam alguma versão do Windows® (Fonte: NetMarketShare), minha óbvia escolha é desenvolver algo para disseminar neste sistema operacional; 
2 - Se não tiver pressa, posso programar um vírus que fique em seu computador sendo executado automaticamente escondido ou dormente, ou um joguinho pra você se divertir todos os dias, ou camuflar naquele "nude" que alguns não resistem em baixar, e não precisam causar um efeito hoje, posso programá-lo para vigiar seus acessos à internet, gravar suas senhas de banco, e-mail, redes sociais ou até mesmo as mensagens digitadas no whatsapp e, num belo dia de primavera (ou qualquer outra estação do ano) simplesmente enviar tudo que foi coletado para um endereço de e-mail ou para um site sem que ao menos você desconfie, quando algum antivírus reconhecer esta atividade como maliciosa, já será tarde demais, já estarei de posse de tudo que seja necessário para acessar sua conta bancária ou para te chantagear; 
3 - Se eu estiver com pressa, posso programar para que, tão logo seja executado, copie tudo que tem em seu computador (PC, notebook ou smartphone) dentro de um arquivo compactado, criptografado com uma senha que só eu saiba e, exibir uma mensagem na sua tela informando que, se não quiser ter todos os seus arquivos (fotos da lua de mel, casamento, filhos, planilhas financeiras, documentos da empresa e etc.) apagados definitivamente, que pague um resgate que eu desbloqueio tudo de volta. 
4 - Outra alternativa é conseguir o máximo de informações através do que você publica, posta ou compartilha nas redes sociais e, de posse destas informações, e com sua senha em mãos, posso copiar suas fotos íntimas guardadas automaticamente no iCloud (por exemplo), seus e-mails picantes do gmail ou outlook, ou qualquer outra coisa escondida em algum canto remoto de sua vida digital e usar isso como moeda de chantagem pra lhe arrancar dinheiro. 
Várias são as formas de conseguir dinheiro com malwares, mas o alvo sempre será você que recebe, abre, executa, compartilha e dissemina conteúdo que acha que está levando vantagem, como arquivos de músicas e vídeos protegidos por direitos autorais, softwares piratas, entre outros tipos de arquivos. 
Se eu criasse um malware, contaria com sua ganância, curiosidade, vontade de se dar bem a qualquer preço, desrespeito pelo trabalho dos outros ou até mesmo sua mania por novidades para lhe enviar algo que pode te causar um grande estrago. Pense bem, use o bom senso, desconfie de certas vantagens na internet, mude seus hábitos, algumas mudanças pequenas podem ajudar a proteger a você mesmo e à empresa em que trabalha de grandes prejuízos. 
Até a próxima.

Daniel Fernandes

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